sábado, 7 de fevereiro de 2009

.Agarrei João Cabral...


Sim sim, isso mesmo que vocês leram. Eu literalmente (põe literalmente nisso) AGARREI João Cabral de Melo Neto!
Entrei na livraria já com os dedinhos coçando... eu ia comprar um livro! Sim eu ia! Só ainda não sabia quem eu ia levar comigo. Sabia que queria poesias. Pensei em Cora Coralina, Adélia Prado, Vinicius de Moraes, e até Chico César (sim o da "minha mãe é mãe solteira" - ele escreve bem gente, juro!)... Mas foi fussando em uns livros que estavam lá embaixo (abatidos, desmotivados!rs) que encontrei ELE. O homem. O homem personificado em folhas bem colocadas e papel bonito.
Sempre fui fascinada pelo mundo de João Cabral.. e tê-lo em minhas mãos foi como se todo esse mundo fosse meu naquele instante. Agarrei. Agarrei e não larguei mais. Foi como se ELE já fosse meu, como se estivesse esperando por mim naquele cantinho escondido da livraria.
Não tive mais dúvidas.
Era ELE.
Paguei.
Saí da livraria com os olhos mais brilhantes que diamante lapidado.
Era uma felicidade juvenil... um sorriso de orelha a orelha. Nada era tão interessante prá mim, naquele momento, quanto tê-lo em minhas mãos. Nada. Nem as roupas nas vitrines do shopping, nem as super ofertas das lojas, nem o cheiro do café vindo de longe. Ok. O cheiro do café me fez parar por dez segundos. Um suspiro demorado. Um degustar quase poético. E segui. Segui com cóseguinha na barriga de vontade de saboreá-lo. Não. Não o café. O livro!
Quase chegando em casa, não aguentei. Resolvi sentar ali na padaria mesmo.
Boa tarde.
Opa o degrau!
Obrigada.
Um café com leite, por favor.
Bem forte. (gosto do café bem forte!)
Senti o cheirinho do café.
Humm...
Um primeiro gole....
O olhar afincado no livro.
Abri.
Dedilhei com cuidado as primeiras páginas.
Senti seu gosto.
Fui devorando aos poucos cada verso.
Mais um gole do café.
Como era delicioso.
Era dos sabores o que mais gostava de provar.
Sempre gostei.
Para mim.. esse gosto que não se sente (só se sente!), é o melhor gosto que a gente pode sentir!

Lambi as pontas dos dedos todos....


Evadi-me.

Um comentário:

O Profeta disse...

O meu pensamento é gaivota
Entre as tempestades e as pedras negras
Meço o tempo pela chegada da Lua
Sou homem nu a que um deus dita regras

Boa semana


Bom carnaval


Doce beijo