sexta-feira, 7 de agosto de 2009

.Da saudade.



"Saudade é um pouco como fome
Só passa quando se come a presença.
Mas às vezes a saudade é tão profunda que a presença é pouco:
quer-se absorver a outra pessoa toda.
Essa vontade de um ser o outro para uma unificação inteira é um dos sentimentos mais urgentes que se tem na vida."

Clarice Lispector


Tenho pensado muito sobre a saudade. Pensado e sentido.. como tenho sentido saudade. Saudade daquele amor de longe, das pessoas que já se foram, dos amigos perdidos pela vida, da infância e de todos aqueles momentos bons que a gente sabe que não voltam mais!
Mas é certo que a que mais tem me doído e lamentado é a saudade daquele amor.
Essa saudade de amor para mim é tão urgente! Isso mesmo! U-r-g-e-n-t-e! Como pode amando-se alguém não querê-la a todo momento! O amor, quando é intenso (e é!), tem sempre uma certa urgência! Quer ter a coisa amada bem pertinha, praticamente grudada.. praticamente sendo só um! É essa terrível saudade não conscentida, que não sabe esperar assim contida, saudade querendo se suicidar! É dessa saudade que eu sofro!
Tudo muito piegas, eu sei... mas tem coisa mais piegas que o amor? E tem coisa melhor do que ser piegas amando!? Não, não tem!
Saudade urgente da coisa amada.
Saudade com todas as suas formas, seus cheiros e sabores.
Sim... porque saudade também tem cheiro, tem forma, tem sabor.
A minha hoje tem forma de viola, tem cheiro de café, gosto de beijo bom.
A minha saudade tem nome e endereço.
Minha saudade tem afeto e tem apreço.
Minha saudade lembra música estranha e bobeirinhas de amor.
Lembra risada alta e travesseiradas prá acordar.
Saudade que lembra olho no olho e jeito manso de falar.
Lembra dormir abraçado e conversa até a noite acabar.
É saudade que lembra ônibus da Capriolli e telefonema na estrada.
Mensagem no meio do caminho, lembrancinha de namorada.
Lembra casa boa de sogra e amizade de cunhada.
Lembra visita do amado e carro subindo na calçada.
Minha saudade me lembra pizza e bronca de namorado.
Lembra ciume bobo, lembra medo de um amor passado.
Essa minha saudade que me lembra sorriso de sobrinho e brincadeira no colchão.
Que lembra falar tchau no domingo, choro contido quando passa um quarteirão.
Saudade minha que lembra conversa no msn, email de madrugada, cartinha escondida.
Telefone tocando, mensagem chegando, tristeza contida.
Passarinho beija-flor, ciranda divertida, carinho especial.
Encontro inusitado... o mais lindo namorado... e essa saudade letal!

jtm*


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Imagem: gravura de Joe Sorren

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*Recomendo*

° Filme: O Menino do Pijama Listrado
° Livro: A menina que roubava Livros - de Markus Zusak
° Música: Nô Stopa - linda e encantadora cantora paulistana (link do myspace da Nô aí do lado em "Musica")

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Evohé, axé, inté!

3 comentários:

Carolina Bernardes disse...

Juliana. Deixei recado no seu orkut, mas não me respondeu. Como você tem passado muitas vezes pelo meu perfil, imagino que esteja querendo falar comigo. Abraço, Carol.

em mim em ti borboletamente amor disse...

Ah.." a saudade é pior do que se entrevar, doi, latejante, como um barco que aos poucos descreve um arco e evita atracar no cais, pior que o esquecimento, arrumar o quarto do filho que morreu" Buarque de Holanda.

meumundocomigosemmim disse...

juju, amei o texto sobre a saudade...a tempos naum entrava no seu blog...acho q a saudade tmb origina, de uma época importante, como o começo de um namoro, onde tudo são flores...com o tempo, a intimidade(maldita ou não), surge...dai, tudo fica pratico e não ha mais a necessidade de batalhar por algo...e esquecemos que a cada dia, o amor refloresce, renovando-se para um novo mistério...se nos esquecer-mos disso, o amor acaba, nos tornamos simples companheiros de convivência.Saudades da juju